App Firework quer mudar a forma como se consome vídeos curtos no Brasil.

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O que há de comum no sucesso de plataformas digitais como Netflix, YouTube e TikTok? Todos estes gigantes da tecnologia apostam no formato de vídeo como chave do sucesso. No entanto, cada uma destas empresas tem diferentes estratégias em relação à duração dos vídeos, à qualidade das produções e a quem são os criadores de conteúdo. Neste concorrido mercado, o aplicativo Firework encontrou um espaço para inovar e pretende criar uma tendência no consumo de vídeos.

Vincent Yang, cofundador e CEO do Firework, disse em entrevista exclusiva à StartSe que não vê, neste momento, uma empresa dominante no setor de “conteúdo profissional gerado pelo usuário (Professional User Generated Content, ou PUGC)”.  O aplicativo funciona como uma rede social de vídeos com foco em produções curtas (entre 30 e 90 segundos) criadas pelos próprios usuários, mas com qualidade profissional. “Queremos que o Firework se torne a televisão para as novas gerações”, antecipa o empreendedor norte-americano.

Mercado digital de vídeos

Segundo análise de Yang, há dois grandes grupos que separam plataformas digitais de vídeos. O primeiro é o de “conteúdo gerado por usuários (User Generated Content, ou UGC)”, onde se situam Snapchat, TikTok e inclusive os stories do Instagram. Nestes aplicativos, o foco está em vídeos curtos, com qualidade amadora, voltados a temas como humor, autopromoção (selfies) e acontecimentos cotidianos. A proporção entre usuários criadores de conteúdo em relação à base total é alta.

Do outro lado, estão as plataformas de “conteúdo gerado por profissionais (Professional Generated Content, ou PGC)”. Fazem parte deste grupo, principalmente, os serviços pagos de streaming, como Netflix e Amazon Prime Video, por exemplo. Neste caso, usuários são apenas visualizadores, e os conteúdos são longos (filmes de longa ou curta-metragem ou séries) e de qualidade altamente profissional.

No meio do caminho, estão plataformas mais amplas que aceitam todos os formatos, qualidades e durações de vídeo, como o YouTube. Nele, tanto produtores de conteúdo amadores quanto profissionais estão presentes, mas a maior parte dos usuários são apenas visualizadores.

O Firework se situa mais próximo deste último, mas reserva particularidades. Como uma rede social, o aplicativo tem um feed personalizado para cada usuário. Um algoritmo de inteligência artificial, aliado a uma equipe humana de análise, identifica quais vídeos produzidos pelos usuários trazem qualidade profissional, tanto em aspectos de produção quanto no conteúdo em si (se conta uma história transmite informação relevante). Usuários que se destacarem nestes quesitos são convidados a entrar em uma base de “criadores profissionais” e seus vídeos passam a ter maior alcance, além de possibilidade de remuneração.

Como diferencial tecnológico, o Firework criou a ferramenta Reveal. Ela permite gravar vídeos que, quando assistidos na vertical, apresentam apenas parte do conteúdo. Ao posicionar o dispositivo na horizontal, ele revela o que estava nas margens da gravação, dando perspectiva mais ampla da imagem.

Firework

“Vídeos curtos definitivamente são uma das maiores tendências nas redes sociais no momento”, avalia Vincent Yang. “Os dados nos mostram que este formato está tomando fatia de mercado de outros conteúdos em vídeo, tanto em plataformas exclusivas quanto em redes sociais e apps de mensagem, em uma tendência que vem da China para o resto do mundo”.

Segundo o CEO do Firework, uma das razões que explica a tendência é o fato de as novas gerações consumirem conteúdo no “tempo fragmentado” – isto é, entre uma tarefa e outra, no transporte ou enquanto esperam por um serviço. Além disso, as operadoras de telecomunicações veem os vídeos curtos como potencial de aumento de receita. “Enquanto Netflix e YouTube são consumidos majoritariamente quando usuários estão conectados ao WiFi, os vídeos curtos são bastante assistidos com dados móveis”, explica Yang.

Curta duração não é – ou não deveria ser – sinônimo de baixa qualidade. Para manter um padrão, o Firework requer uma duração mínima de 30 segundos por vídeo, o que já aumenta a dificuldade para produtores amadores. Quando um usuário “comum” publica um conteúdo, ele é mostrado apenas para seus seguidores e, em caso de sucesso, começa a ser distribuído para uma base crescente. Além disso, a rede de criadores profissionais, que já conta com mais de 11 mil usuários, serve como referência de qualidade para os demais.

A receita do Firework vem por meio de anunciantes. A cada quatro ou cinco vídeos de usuários, um vídeo comercial, seguindo o mesmo rigor de qualidade e duração, surge no feed. Além disso, a rede social criou o “desafio patrocinado” em que uma marca gera uma campanha e desafia os usuários a participarem com vídeos.

Do lado da base de criadores profissionais certificados pelo Firework, a remuneração é indireta. A empresa incentiva que as marcas patrocinem conteúdos criados por esta rede de usuários, e inclusive recomenda criadores para as empresas interessadas. Para 2020, o Firework pretende adicionar um botão de compra direta de produtos nos vídeos, e uma parcela da receita será repassada aos criadores de conteúdo.

Foco no Brasil

Hoje, o Firework tem 3,2 milhões de usuários no mundo, já levantou cerca de US$ 30 milhões em investimentos e foi avaliada, no início de 2019, em US$ 100 milhões. A rede social está presente nos EUA, Japão, Índia, Rússia e Brasil.

No Brasil, são 600 mil usuários. Este ano, a empresa abriu um escritório no Rio de Janeiro e investiu US$ 5 milhões na operação local. Segundo Lucas Alves, representante da Firework no país, o mercado brasileiro tem características perfeitas para alavancar o crescimento da plataforma.

“Ainda não há, no Brasil, um aplicativo dominante em relação aos vídeos curtos”, afirma Alves à StartSe. O tamanho da população, a alta penetração de smartphones e a boa recepção a redes sociais fazem do país um dos principais focos do Firework. “Há um potencial enorme quando todos estes fatores se juntam”, avalia.

O desafio, na visão de Lucas Alves, está na educação do público para a proposta de valor da plataforma. “Em geral, as pessoas pensam em vídeos curtos como aqueles conteúdos que recebem e compartilham no WhatsApp, tipicamente espontâneos e de baixo custo de produção. Com o tempo, acredito que o público vai entender que pode existir conteúdo curto e, ao mesmo tempo, de qualidade”, finaliza.

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