As startups estão mais preparadas para a crise do coronavírus?

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Possibilidade de operar em home-office, forte presença digital, preocupação constante em estabelecer bons canais de comunicação com os clientes. Todas essas tendências já eram apontadas como caminhos importantes para as empresas antes da pandemia. Com as medidas de combate ao novo coronavírus, tornaram-se ainda mais decisivas.

Em geral, startups costumam estar alinhadas a essas tendências, o que pode dar ideia de que estão mais preparadas para a enfrentar a crise. Seria um exagero, porém, afirmar que essas empresas de base tecnológica não sofrerão tanto com as consequências econômicas do isolamento social.

Se, por um lado, startups dialogam sem ruídos nos meios digitais, por outro são empresas que, em geral, não têm lastro financeiro para enfrentar um período com queda abrupta de receita. “A gente tem que entender em qual momento está a startup. No começo da vida delas, uma das coisas mais difíceis é ter caixa para sobreviver. Conquistar os seus primeiros clientes, vender…É um momento de equipe muito enxuta e não tem dinheiro. Pode ser que a crise fez com que a venda daquele produto esfriasse, ou o apetite para investimento diminuiu”, analisa Caio Ramalho, coordenador do Núcleo de Estudos em Startups, Inovação, Venture Capital e Private Equity da Fundação Getulio Vargas (FGVnest).

Ramalho destaca que, diante deste cenário, empresas maiores tendem a se beneficiar: “Não é preto no branco. A situação não é binária. Só porque a startup é, em teoria, uma organização mais enxuta, não quer dizer que tenha menos problemas. Grandes empresas têm caixa maior, gordura financeira maior para atravessar uma crise”.

A vantagem financeira das grandes corporações pode se refletir em uma concentração de talentos nessas empresas. É o resultado de um processo que começa com a necessidade de algumas startups de fazerem cortes para sobreviver na crise. Com o talento que se vai – e que encontra outra oportunidade em grandes empresas -, perde-se também uma boa dose de conhecimento. “No médio e no longo prazo, é possível que as startups percam competências. Essas pessoas, indo para o mercado, vão buscar empregos nas grandes empresas. A startup não tem estrutura organizacional com modelos de gestão de conhecimento, o conhecimento está nas pessoas. Se eu perco uma pessoa, posso estar perdendo um recurso, um conhecimento fundamental”, analisa Carlos Arruda, gerente executivo do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral.

Há também a possível dificuldade de buscar investidores, algo que toda startup almeja para financiar suas inovações. “A mortalidade das empresas pode chegar a 80%, segundo o Sebrae. Nesse cenário, os investidores ficam mais conservadores. Isso pode impactar uma dinâmica positiva dos últimos anos no surgimento de novas startups”, afirma Arruda.

Uma pesquisa da Fundação Dom Cabral e da Órbi Conecta, com apoio da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), traçou um panorama dos impactos da pandemia que representantes de startups esperam para suas empresas. O levantamento apontou que 53,2% dos entrevistados já notaram consequências negativas. Por outro lado, 30,9% das startups consultadas foram positivamente afetadas. Independentemente das dificuldades, a agilidade dessas empresas para se adaptar a diferentes cenários fica evidente: 60% dos respondentes dizem estar adotando uma postura ativa para reestruturar e reinventar seus negócios.

Essa tendência pode dar algum benefício às startups, além de um possível aumento de parcerias com grandes corporações. “As grandes empresas devem acelerar o processo de busca de novas soluções. Médias e grandes empresas vão precisar de novas soluções, e talvez encontrem nas startups”, conclui Arruda.

Fonte: Portal VAE

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