Com apartamentos de 10m², estamos entrando na Era do coliving.

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Você provavelmente já ouviu falar de moradias compartilhadas. A expressão, também conhecida como coliving, surgiu em 1972 com a Sættedammen, primeira comunidade de hospedagem do mundo criada na Dinamarca . Nela, famílias tinham suas acomodações privadas e compartilhavam espaços de convivência. O conceito se desenvolveu ao longo dos anos e hoje é conhecido, principalmente, por conta das moradias estudantis.

Mas, tudo indica que, em breve, a prática se tornará mais comum no Brasil com a chegada de startups e empresas com projetos que reinventam o termo já conhecido. Na prática, as novas moradias coliving trazem tecnologias e ainda mais facilidades que estimulam jovens, adultos e até mesmo idosos a aderir ao movimento colaborativo.

“A tendência do coliving está acontecendo da mesma forma no mundo inteiro em locais como Ásia, Europa e América do Sul”, ressalta Alexandre Frankel, CEO da Vitacon. A construtora tem hoje mais de 70 prédios em São Paulo que seguem o conceito, com apartamentos compactos localizados nos melhores bairros da cidade e áreas compartilhadas para a vivência em comunidade.

A empresa, criada em 2010 para propor uma nova experiência de vida em moradias, define suas construções como “hubs urbanos”, onde a conveniência e a praticidade predominam. Nos espaços compartilhados — como lavanderia, cinebar, bike sharing, academia, horta e coworking — os moradores têm acesso a diversos serviços em um só local e ao mesmo tempo podem interagir com outros usuários.

Os novos apartamentos da Vitacon estão disponíveis apenas para investidores e locatários, já que a construtora acredita que o setor terá uma migração gradual para o modelo de aluguel. Além disso, com o passar dos anos, os imóveis foram cada vez mais compactados — passando de 43 m² em 2009 para cápsulas com apenas 2m² lançadas em 2019 com banheiros e espaço para alimentação compartilhados.

Por que esse movimento cresce

O surgimento de novas empresas focadas em moradias compartilhadas e a popularização do coliving estão sendo impulsionados por algumas razões — como aumento de custos de produção de habitação, novos arranjos familiares e estilos de vida, demanda por mobilidade e proximidade ao trabalho e até mesmo envelhecimento da população. “Enquanto os mais jovens querem morar no coliving por acessibilidade e condição financeira, as pessoas mais velhas têm essa necessidade devido à solidão”, explica Frankel.

De acordo com a pesquisa “Movimento Coliving”, encomendada pela Vitacon junto ao Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), quase um terço dos entrevistados (31%) aceitaria compartilhar espaços com pessoas desconhecidas ou conhecidas na mesma residência a longo prazo. Para 55% deles, viver em imóveis compactos e em áreas de convívio compartilhadas já é considerado uma possibilidade.

O estudo foi realizado com 800 pessoas acima de 16 anos. “Ao considerarmos São Paulo como uma capital de tendência para outras cidades, podemos afirmar que 60 milhões de brasileiros já aceitam morar em imóveis com espaços compartilhados, e que mais de 100 milhões estão dispostos a morar em colivings nos próximos anos”, projeta Alexandre.

Os que consideram viver nesses locais são incentivados, principalmente, pela redução de gastos. A vantagem que mais se destacou na pesquisa, apontada por 34% dos entrevistados, é a divisão de custos e economia. Já a segunda, com 20%, é a possibilidade de socializar, conhecer mais pessoas e não se sentir só.

Ao redor do mundo

O Brasil não é o único a adotar a tendência. Em países como Reino Unido, Estados Unidos, e Japão, empresas também estão desenvolvendo projetos de moradias compartilhadas. Em Nova York, por exemplo, a WeWork criou o WeLive. Nele, os visitantes escolhem um apartamento totalmente mobiliado e por quanto tempo desejam ficar — o que pode variar entre dias ou até meses. Por um valor mensal, eles têm acesso a cozinha compartilhada, serviços de limpeza, centro de jogos e academia.

De acordo com dados da organização sem fins lucrativos Co-Liv, já existem hoje mais de 800 marcas com negócios como esse no mundo. Entre 2015 e 2018, o número de projetos de moradias compartilhadas cresceu de 500 para 3.100. Até 2021, a ONG prevê um crescimento de 84%.

“Estamos cada vez mais juntando pessoas com pensamentos parecidos para que tenham experiências diversas e possam viver nas cidades de forma diferente. As pessoas vão mudar de casa de acordo com o momento e cada estágio da sua vida. É aí que queremos chegar com essa revolução da moradia”, ressalta Franklin.

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