Mulheres empreendedoras ascendem, mas ainda falta confiança (dos outros).

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Em 2019, 49% das startups inscritas no InovAtiva Brasil possuíam mulheres no comando. Em 2013, essas startups representavam apenas 12% do total. O aumento da presença feminina em um dos maiores programas de aceleração do Brasil é um reflexo de um maior número de mulheres empreendendo e assumindo cargos de liderança no país. Porém, ainda há um longo caminho a ser trilhado.

A diferença nas startups que possuem mulheres na liderança é sentida na prática dentro do programa. “Nós ressaltamos a importância da diversidade nos times e vemos que ela traz muitas vantagens: inovação, outras formas de enxergar problemas e mais criatividade”, conta Janice Maciel, coordenadora do InovAtiva Brasil, em entrevista exclusiva à StartSe.

E, nos casos em que não há nenhuma mulher na equipe, o impacto é ainda maior. “Existem ainda muitas empresas que não têm nenhuma mulher no time, é menos que a metade, mas existe. Vemos que falta uma liderança mais horizontal, melhor comunicação, empatia com a equipe e cooperação e confiança”, disse Maciel. Para a especialista, a presença de mulheres no ecossistema de startups é menor do que em comparação ao mercado tradicional.

De acordo com o relatório global da Mercer “When Women Thrive 2020”, 40% da força de trabalho no mundo é do sexo feminino — um aumento de 2% em comparação a última pesquisa (de 2016). No entanto, as mulheres são mais numerosas (47%) em posições de suporte, enquanto ocupam apenas 29% das vagas sênior e 23% executivas.

Falta confiança, mas não de investidores

As mulheres brasileiras possuem 34% mais probabilidade de se formar no ensino superior em comparação aos homens, mas possuem menos chance de conseguir emprego. Essa é uma conclusão do relatório Education at a  Glance 2019, feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Paralelamente, de acordo com o relatório “The Reykjavik Index for Leadership”, feito pela consultoria Kantar, 59% dos brasileiros não se sentem muito confortáveis com uma mulher como CEO — o cargo mais alto de liderança em uma empresa. Aqui ou no parágrafo anterior, a desconfiança é uma questão de gênero. Quando a questão passa a ser uma mulher como presidente do Brasil, 52% das mulheres entrevistadas se sentem confortáveis, enquanto apenas 34% veem a mesma situação com bons olhos.

Mas enquanto a desconfiança do brasileiro é grande, estudos comprovam que companhias fundadas por mulheres performam melhor em comparação as fundadas por homens. Uma pesquisa do fundo de capital de risco First Round Capital demonstra que as startups investidas fundadas por mulheres performaram 63% melhor. Já de acordo com o Boston Consulting Group, a cada dólar que uma mulher fundadora ou cofundadora levanta, ela gera 2,5x mais receita do que um fundador do gênero oposto.

Quem são elas?

De acordo com a All Raise e PitchBook, em 2019, as startups fundadas por mulheres receberam o recorde de 4.399 investimentos ao redor do mundo. No mesmo ano, o Crunchbase reportou que startups com essas características viraram unicórnios em uma velocidade nunca antes vista. No entanto, a maioria dos investimentos recebidos segue sendo de startups criadas por homens.

“Os investimentos ocorrem com mais frequência aos homens. As mulheres precisam quebrar barreiras, pois ainda há uma insegurança que é cultural, não tem relação com a capacidade e meritocracia das mulheres”, comenta Janice Maciel.

Atualmente, a maioria esmagadora (81%) das executivas são mulheres brancas. Em segundo lugar (8%), aparecem as mulheres asiáticas; em terceiro (6%), mulheres negras; em quarto (3%), as hispânicas. Os dados são do relatório WWT 2020 da Mercer, que consultou 1.157 organizações de 54 países, incluindo o Brasil.

São as mulheres da América Latina que estão liderando os maiores valores investimentos realizados (ainda que em startups cofundadas junto com homens). De acordo com o Crunchbase, 16% das startups fundadas em conjunto por homens e mulheres nesta região receberam investimentos, em comparação com 9% nos Estados Unidos e 8% na Europa.

Está inclusa nessa conta a rodada Série F de US$ 400 milhões levantada pelo Nubank, que possui a empreendedora Cristina Junqueira como uma das fundadoras. Atualmente, a fintech é o maior banco digital independente do mundo, tendo captado cerca de US$ 820 milhões em sua trajetória. Recentemente, ela foi capa da Forbes, se tornando a primeira empreendedora grávida a estampar a capa de uma revista de negócios.

De acordo com um relatório de março de 2019 do Sebrae, há 24 milhões de mulheres empreendendo no Brasil, em comparação a 28 milhões de homens. As mulheres empreendem por necessidade e a maioria não têm sócios. Não raramente, elas se tornam a principal fonte de renda da casa.

Mudando este cenário

Ao mesmo tempo em que as startups — e o setor de tecnologia em geral — podem possuir funcionários predominantemente do sexo masculino, elas podem criar iniciativas para mudar este cenário. A mudança pode ser, inclusive, não apenas de gênero, mas inclusiva também em raça, sexualidade, entre outros.

De acordo com o relatório WWF da Mercer, apenas 42% das quase 2 mil organizações presentes na pesquisa possuem uma estratégia de diversidade e inclusão à longo prazo. Em nível global, apenas 33% das empresas possuem um líder de diversidade ou de inclusão, que possuem a missão de tornar companhias mais plurais de dentro para fora.

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