O que paixão tem a ver com gestão?

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Paixão
substantivo feminino
Termo que designa um sentimento muito forte de atração por uma pessoa, objeto ou tema.

Gestão
substantivo feminino
Área de ciências humanas que se dedica à administração de empresas e outras instituições visando fazer com que alcancem os seus objetivos de forma efetiva, eficaz e eficiente.

Pergunte a uma criança o que ela quer ser quando crescer e muito provavelmente você vai ter respostas como piloto, médico ou astronauta. Nunca ouvi uma criança dizer: “quero ser gerente”.

A Gallup – empresa de pesquisa de mercado – mede desde 2000 a percentagem de colaboradores engajados nos Estados Unidos, que em 2018 chegou a 34%. Se sua equipe é engajada, ela atua como se fosse dona do negócio e vai além das metas contratadas. Colaboradores que têm experiências negativas no trabalho e podem chegar a boicotar seus empregadores são chamados “ativamente desengajados” e representam 13%. Fica claro que colaboradores engajados (ou apaixonados) ajudam a criar resultados superiores de desempenho, seja por se esforçar mais ou por dedicar o tempo extra necessário para encantar o cliente.

Empresas que formularam um propósito além de gerar lucros têm a chance de engajar os colaboradores e consequentemente ter um desempenho melhor. Empresas como a Natura, Native, Mãe Terra ou AMMA conseguem atrair gerentes por oferecer oportunidade de usar o negócio para fomentar o bem comum e ter impacto positivo na sociedade. Veja o exemplo da Priscila Matta, antropóloga na Natura que ajudou a empresa a estreitar as relações com as comunidades que fornecem ingredientes e conhecimento tradicional para a famosa linha EKOS. O projeto cria valor para a comunidade em forma de renda para os agricultores familiares e investimentos na capacitação da comunidade. Ao mesmo tempo a linha EKOS é uma das mais bem-sucedidas da empresa. Outro exemplo é a Carla Crippa da AmBev, idealizadora da AMA – a linha de água da empresa que investe todo lucro em reduzir os efeitos da seca no Nordeste. Chamamos estes gerentes “intraempreendedores de impacto” porque constroem novos produtos, serviços, processos ou modelos de negócio que criam valor para a empresa e para a sociedade no mesmo tempo.

É bem mais fácil se apaixonar ser gerente numa empresa que te permite disseminar o bem. Por outro lado, a cada dia as pessoas se apaixonam menos por empresas que simplesmente visam gerar lucro para seus acionistas. Até o CEO do maior fundo de investimento do mundo – Larry Fink, da BlackRock – destacou a importância do propósito escrevendo para seus clientes “que as empresas precisam começar com um propósito claro na definição do seu modelo de negócio e na estratégia corporativa. Propósito aqui não é um simples slogan de marketing, é a razão fundamental pela qual a empresa existe”. Esse depoimento é resultado de uma reflexão profunda sobre paixão e gestão. Se a gestão de uma organização te motiva a trazer sua paixão ao trabalho, por poder impactar positivamente a sociedade, isso pode gerar bons resultados para todos. Por isso temas como propósito e legado estão em alta na literatura de negócios recentemente.

Espero que exemplos como os da Priscila Matta e da Carla Crippa motivem as crianças a se tornarem gerentes e intraempreendedores de impacto e que mais empresas encontrem um caminho para permitir aos seus colaboradores usar a competência e estrutura da empresa em prol do bem comum.

*Heiko Hosomi Spitzeck é Diretor do Núcleo de Sustentabilidade da Fundação Dom Cabral

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