Profissão Empreendedor: como a inquietude ajuda a solucionar problemas.

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Bom empreendedor que se preze nunca está acomodado na zona de conforto: busca atualizações, faz avaliações constantes de sua empresa, procura outras oportunidades de negócio. Por isso a inquietude é o tema do sexto capítulo da série Profissão Empreendedor, que trata das principais qualidades que o empreendedor deve ter. Criar e gerir o próprio negócio são tarefas que não combinam com acomodação.

A começar pelo momento em que uma empresa nasce. A ideia de um negócio surge da cabeça inquieta que procura soluções para dificuldades de um cliente em potencial. “As empresas existem porque existem problemas. Os empreendedores se diferenciam porque identificam, nos problemas, oportunidades para empreender. É alguém que tem a parabólica ligada nesses problemas, e foca neles, não na solução”, analisa Enio Pinto, gerente de relacionamento com o cliente do Sebrae.

A atenção à chamada “dor do cliente” não pode ser confundida com uma espécie de obsessão pelo “remédio” escolhido para amenizá-la. Em outras palavras, o empreendedor não deve se apegar demasiadamente ao produto que encontrou para solucionar o problema.

É possível que o cliente não queira aquela solução específica, então o foco deve se manter, sempre, em quem potencialmente será seu consumidor. “Vou dar um exemplo: vamos imaginar que o problema identificado é que, em uma comunidade, o pessoal está com excesso de peso. Que soluções eu tenho? Pode ser academia, pilates, dieta, há uma pluralidade de soluções para o problema. O cliente é quem vai escolher. Não adianta o empreendedor gostar muito de academia e insistir nisso se aquela comunidade não quer academia”, explica Pinto.

Está aí a chave para equilibrar a necessária inquietude com outra valência importante do empreendedor: a perseverança. Há um aparente conflito entre as duas características, com uma levando à mudança, a outra advogando pela insistência em um caminho. Os dois atributos, porém, devem caminhar juntos. No exemplo citado por Pinto, o empreendedor deve perseverar na busca por solucionar o problema do excesso de peso da comunidade, ao mesmo tempo em que precisa ser inquieto para encontrar uma nova solução. Insistir na crença de que a academia dará certo o fará cruzar a linha tênue que separa a perseverança de teimosia.

Buscar novas ferramentas, inovar e fazer avaliações constantes da empresa é um processo que deve continuar, também, depois de ela estar consolidada. Fundador do Clube do Networking, ciclo de reuniões com empresários que busca capacitar empreendedores, Maurício Cardoso acredita que há três perfis de empreendedores. O primeiro é o mais inquieto de todos, que identifica os problemas e soluções e cria novos produtos. Há também quem esteja mais ligado à gestão. São os que conseguem replicar com competência inovações inauguradas pelo primeiro perfil, administrando com eficiência a organização. Finalmente, temos executores, como os profissionais autônomos que precisam, nas palavras de Cardoso, “arregaçar as mangas” para ter receita com seu empreendimento. Seria o caso de um dentista que monta seu consultório: “Muitas vezes, no negócio, você é essas três figuras. Quando a empresa cresce, não cabe mais em você esses três chapéus. Tem de delegar. Mas essa inquietude é fundamental, é o que vai criar a esteira de produtos”.

Angústia em cada momento de estabilidade, procura constante de novos caminhos e criatividade na tentativa de solucionar problemas são características decisivas do empreendedor para o sucesso de um empreendimento. Não podem, porém, caminhar sozinhas. Como tudo na vida, equilíbrio é fundamental, e há de se ter um pouco de calmaria no cérebro hiperativo de cada empresário inquieto.

Acompanhe a série Profissão Empreendedor

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