Realidade virtual recria o Muro de Berlim.

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A queda do muro aconteceu em 9 de novembro de 1989, em meio a um movimento de revolução pacífica.

Às vésperas de completar 30 anos da queda do Muro de Berlim, uma empresa alemã especializada em realidade virtual está oferecendo viagens históricas para a Berlim Oriental dos anos 1980.

Desde o final de agosto, a TimeRide inicia o passeio com uma rápida introdução sobre como a Alemanha foi dividida em vários setores, após sua derrota na Segunda Guerra Mundial. O tour conta também como as autoridades comunistas fecharam uma fronteira à noite, em 1961, para frear o êxodo em massa de cidadãos para o lado oeste.

Após essa introdução, os participantes escolhem quem irá guiá-los durante o tour (três protagonistas são apresentados em uma tela: um soldado rebelde, um cidadão desenganado e um punk de Berlim Ocidental) e sobem em uma réplica de um ônibus, usando óculos de realidade virtual. Então, o passeio inicia de fato.

O objetivo da TimeRide é fomentar o turismo imersivo de contexto histórico, “autêntico” e interativo. “Nossa ideia era que, como não podemos voltar no tempo, tentaríamos recriar uma perfeita ilusão do que foi aquilo”, diz o fundador da empresa, Jonas Rothe. “Esse não é um museu e não quer ser um museu. Queremos fazer a pessoa se deixar levar e que tenha a sensação de ser um participante da História”, completa.

Tour – O passeio percorre a tensa passagem fronteiriça, a elegante praça Gendarmenmarkt (onde é possível ver os vestígios da guerra nas edificações das duas catedrais) e os novos prédios pré-fabricados de Leipziger Strasse.

Enquanto isso, agentes da Stasi vigiam os cidadãos de uma forma muito sútil, utilizando um carro sem placa. Neste mesmo cenário, clientes das lojas fazem fila e a propaganda comunista é feita com megafones.

De acordo com Rothe, o objetivo é criar uma experiência imersiva por completo e faz referência ao odor característico dos canos de descarga dos carros Trabant da Alemanha Oriental. “O olfato, claro, tem uma conexão mais forte com a memória, mas não é fácil recriá-lo sem que as pessoas fiquem com dor de cabeça”, afirma.

O passeio encerra no Palácio da República, sede do parlamento que foi demolido em 2008. O tour também mostra vídeos históricos da comemoração da queda do Muro de Berlim.

Cautela – Rothe ressalta que o passeio turístico não deve fazer com que o verdadeiro sofrimento dos dissidentes sob o comunismo seja encarado de forma leviana. “O que não mostramos são as tentativas de fuga e em particular as mortes no muro”, comenta.

O fundador da empresa afirma que, considerando o grande interesse potencial, também seria possível criar um passeio pela época nazista. Entretanto, pondera dizendo que os tabus históricos tornam a ideia muito arriscada. “É preciso ser cuidadoso com o que se mostra e ter um modo respeitoso com que se faz”, conclui.

Segundo um estudo oficial, 327 pessoas morreram na fronteira entre as duas Alemanhas. O número é contestado pelas associações de vítimas, que afirmam que na realidade foi ainda maior.

Fonte: AFP. Foto: Tobias Schwarz/AFP.

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