Veterinário combina tecnologias, salva gato e cria um astro da internet.

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O trabalho de Massimo Petazzoni, cirurgião veterinário, empreendedor e pesquisador italiano, tornou-se mais famoso nas últimas semanas do que ele imaginava. Massimo fez, no início de 2019, em Milão, uma cirurgia de colocação de duas próteses num gato, Vito. O animal havia sido atropelado, em dezembro de 2018 – uma pata precisou ser amputada de imediato e a outra após algumas semanas, por uma infecção. Vito correu sério risco de precisar ser sacrificado.

Massimo, co-proprietário da clínica Milano Sud, assumiu o caso. “Esse tipo de cirurgia exige trabalho de equipe e uma combinação de conhecimentos de veterinária, ciência da computação, mecânica e produção em oficina. Mas não seria viável para os donos (de animais domésticos) pagarem um veterinário, um engenheiro de computação, um engenheiro mecânico e um metalúrgico. Resultado final: eutanásia para gatos e cães e tristeza para as famílias e as crianças”. Havia um bom precedente — o gato Oscar, na Inglaterra, que se tornou em 2010 o primeiro de sua espécie a receber próteses que simulam o movimento de patas.A história de Oscar já havia inspirado muita gente, mas ainda há pouco conhecimento específico nessa área. Massimo vem estudando cirurgia ortopédica mais profundamente desde 1997 e publicou artigos científicos a respeito.

20Uma das técnicas que ele defende, para cultivo de osso e uso posterior em transplante, tem potencial para uso em pernas humanas. Ele acumulou também conhecimento em outras áreas – estudou mecânica, tem um diploma técnico em ciências da computação (“embora eu não fosse muito bom aluno naquele momento”, diz) e trabalhou nesse setor por cinco anos, antes de se dedicar exclusivamente à veterinária. “Passo metade do meu dia estudando, desde que me formei”, afirma. “Investi em montar, na minha clínica, uma oficina com impressoras 3D, torno, fresadora, solda, furadeira de bancada…”

Esse investimento e esse preparo foram colocados a serviço do tratamento do gato Vito, no início de 2019. Após os exames e medições no animal, Massimo se dedicou ao trabalho de fabricação das próteses, sob medida. Usou adaptações de componentes da Orthofix, uma fabricante de fixadores ósseos pós-operatórios para seres humanos. Depois disso, a cirurgia em si durou cerca de uma hora. “Eu já havia feito coisas mais difíceis, mas não com o grau de atenção que Vito está conseguindo. Além da parte visível, ele ganhou também próteses internas, nas articulações da pata”, conta Massimo. “Foi questão de técnica, conhecimento, trabalho de oficina e sorte”.

Vito vive atualmente em Milão. Move-se com bastante desenvoltura graças a suas patas metálicas – e tornou famoso o trabalho do veterinário Massimo, graças a suas contas de Instagram e Facebook.

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